31 de ago. de 2010

Sobre os Atos Irreversíveis...



Há certos erros que cometemos que não têm perdão. Há coisas tão graves que se faz nessa vida que não se pode esperar dos outros compreensão,entendimento,empatia,nada disso: são irreversíveis.
Sempre me inquietou muito entender como se pode superar uma falta grave que não podemos transferir ou dividir com alguém,que não tem coautoria. Acho que dessas falhas a gente não livra nunca; tem que aprender a conviver com elas.
Estou falando de erros sérios,não de burradas mirins. Me refiro às decisões desgraçadas que mudam uma ou mais vidas,às desinteligências,aos enganos desastrosos. É duro admitir que tomamos atitudes que não se justificam e que não vão se amenizar com a passagem do tempo,e ainda mais difícil aceitar que não existe poder sobrenatural que suavize as nossas mancadas.
O perdão divino a que muitos se agarram desesperadamente acaba se tornando a única maneira de conseguir suportar o peso de nossos atos. Sem a certeza de que seremos perdoados por Deus-já que ninguém mais poderia nos excusar-,viver se tornaria impossível. Mas e se não tiver nenhum Deus,nenhum poder celestial,nada que possa nos acolher,apenas a certeza de que somos exclusivamente por toda a sorte de equívocos que cometemos?
E, mesmo que exista Deus,como se faz para viver com o peso de um erro determinante,até que chegue a hora do acerto de contas?
Exemplo: há poucos dias noticiou-se um incêndio acidental,causado pelo acendimento de uma vela dentro de um barraco,no qual estavam duas criancinhas deixadas a sós pela mãe,que foi à casa vizinha por cinco minutos. Os irmãos morreram carbonizados,sem que ninguém tivesse podido fazer nada; foram encontrados abraçados e esturricados num canto da casa. Agora me digam se dá para elaborar uma coisa dessas. Se dá para(sobre)viver com a culpa de ter contribuído para uma tragédia tão devastadora.
Aliás, falando em culpa, seu único sentido, a meu ver, é não nos deixar esquecer de nossos erros e servir de lembrete quando nos aproximarmos perigosamente de sua repetição. Viver sem culpas é não errar mais, ou errar de forma simplória, sem a potencialidade danosa típica das grandes bobagens que vamos acumulando pela vida. Isso, no entanto, é privilégio de poucos. Eu diria que de quase ninguém.
Sei que o tema é polêmico e sempre haverá quem defenda que para tudo nessa vida dá-se um jeito,mas eu não me convenço. Um dos meus maiores medos é dar uma pisada de bola tão feia que as consequências sejam arrasadoras,tanto para mim quanto para terceiros,porque sei, antecipadamente, que eu não saberia carregar o fardo dessa responsabilidade.
Viver e vigiar os próprios passos,essa é a nossa sina, porque o que está feito já era-não se pode repetir. Aos impulsivos, como eu, que fique a lembrança das consequências de nossos atos. Há coisas que não se perdoa, e mesmo perdoando,deixam quelóides horríveis em nossa alma.
Todas as noites, ao deitar para dormir, divido o travesseiro com os fantasmas dos meus erros passados. Eles continuam ali, me encarando, não me deixando esquecer, e é bom que fiquem: só vão desaparecer no dia em que eu também me desfizer.
(Daiana Franco)

Um comentário:

  1. Dizem q é sábio que vive e vigia...É aquela velha frase do "orai e vigiar". Confesso q é complicaaaado as vezes, outras vezes, mais fácil. Mas como para tudo se dá um jeito (ou quase tudo), q possamos pelo menos nao errar os mesmos erros.Rsrsrs...Dia desses falei com o Renato q eu tinha uma vontade looouca de ir até aí só pra te ver e q vcs pudessem se conhecer tb. Disse q me sentia bem ao teu lado.Mas tb,quem nao se sente,Anita!!!??? Tu é um anjo!!!Bjo...

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