
"Não há inimigo insignificante." (Benjamin Franklin)
Muito cuidado com as inimizades fatalmente arranjadas: elas costumam durar uma vida inteira.
Um inimigo é uma sombra a nossa cola, alguém que representa sempre o perigo de um bote inesperado.
Quem tem milhares de amigos muitas vezes, na hora da necessidade, não encontra um disponível. O inimigo, ah, esse se encontra por todo o lado.
Apesar de automaticamente recusarmos a idéia de sermos potenciais arranjadores de problemas, não é preciso ter um gênio difícil para desconquistar alguém. Invariavelmente colecionamos adversários por aí e essas pessoas são, no mais das vezes, aqueles que nos foram ou a quem fomos ingratos. Inimizade é diretamente proporcional à ingratidão.
Ter inimigos é quase inevitável, mas ainda depende de nós não desejarmos ser inimigos de ninguém. No entanto, mesmo não provocando indisposições com quer que seja, uma vez que isso aconteça a possibilidade de que um dia um desafeto se transforme em um amigo é bastante remota. Obviamente, ninguém que seja lúcido o bastante preferirá colecionar rivais a parceiros, mas isso são coisas que acontecem. Uma palavra mal dita aqui, uma cara feia acolá e está feita a intriga. Quase nunca se tem a chance de por tudo em pratos limpos e superar as rusgas- ou por falta de oportunidade ou de vontade.
Há, claro, as inimizades conscientes, aquelas que se faz questão de manter.
Muitas vezes são gratuitas: começaram nem sabemos mais como, o que parece não ter muita importância. De todo modo, amizades vêm e vão, mas inimizades geralmente duram para sempre. Lembramos com carinho de quem nos fez bem, mas a memória dos bons momentos se suavizam na mesma medida em que o tempo passa. O contrário não acontece: parece que as injúrias vão se agravando na medida em que envelhecem.
Se favores são como investimentos a curto prazo, as ofensas são empréstimos a longo prazo: dificilmente o ofendido as esquecerá e deixará passar a chance de retribuir o agravo.
De todos os tipos de inimigos, o mais terrível é aquele que já foi nosso amigo, pois conhece os nossos pontos fracos. Por isso a cautela redobrada ao escolher-mos quem deve privar de nossa intimidade e com quem podemos compartilhar dúvidas e fragilidades.
Não há nada que irrite mais um inimigo do que tratá-lo como amigo ou perdoá-lo por aquilo que nos fez. Quem nos detesta não faz questão do nosso afeto. Logo, não pode haver tapa de luva mais sublime do que dar ao inimigo aquilo que ele mais quer.
(Daiana Franco)

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