25 de nov. de 2010

Provocações...



"Nunca brigue com os porcos. Você acabará todo sujo, e eles vão adorar isso." (General Abrams)

Conviver é uma arte e um ofício, e as sutilezas do dia-a-dia são um verdadeiro teste à civilidade e à paciência.
Por mais calmos e serenos que sejamos, não há placidez que resista às turbulências da vida em comum. A qualquer lugar que se vá e em grupo que se frequente o que mais se vê são pessoas apressadas, grosseiras, coléricas, ignorantes, implicantes, megalomaníacas e interessadas no próprio umbigo, incapazes de se relacionar pacificamente com os outros. É preciso, então, definir estratégias de sobrevivência capazes de nos proteger das agressões alheias e de preservar a nossa sanidade mental.
O ponto de partida é sempre o de ensinar os outros como devemos ser tratados. Tem gente que não sabe reconhecer limites nos seus semelhantes e precisa dessa ajudinha.
As regras do jogo precisam estar claras, não pode haver dúvidas sobre temas inegociáveis. Um bom exemplo é a questão do respeito: se é absolutamente inaceitável ser tratado com estupidez, o certo é reagir com tranquilidade e firmeza, interrompendo na hora o ataque até que o outro se acalme. O importante é nunca se deixar envolver, porque se nos permitirmos embarcar nas provocações alheias não será preciso muito para chegar às vias de fato. É muito simples treinar as pessoas a serem educadas conosco: basta não contrariá-las enquanto estiverem resmungando e gritando. Deixe que elas se virem sozinhas.
Nós também não precisamos sempre concordar com tudo o que as pessoas nos dizem e nos impõem, especialmente nos casos em que não existe certo ou errado, e sim a minha opinião e a sua. Quando passamos a não nos importar mais com o que os outros pensam, discussões e réplicas deixam de ser uma necessidade. Claro, há sempre o risco de parecermos sujeitos sem personalidade, incapazes de defender as próprias idéias; mesmo assim são tão poucos os que merecem aproveitar o nosso melhor que, se tivermos que ficar nos justificando e explicando, o relacionamento deixa de existir e dá lugar a um tribunal, com oponentes, vencidos e vencedores.
Se alguém discordar de mim, minha tarefa é deixar que essa pessoa continue pensando o que quiser, enquanto eu trato de ser feliz. Isso torna a minha vida muito mais fácil, e a economia de tempo que eu tenho deixando de bater de frente é incrível. Por mais que tenhamos sido incomodados, é inútil agredir de volta, ofender ou confrontar: se passamos a atacar as pessoas, elas simplesmente deduzem que somos estúpidos e farão de tudo para que a gente se estrepe, e nós não temos nada a ganhar com isso.
Em geral, todos nos sentimos felizes em atender às expectativas dos outros, e quando somos respeitados e bem tratados tendemos a retribuir a consideração que recebemos. É assim com todo mundo, faz parte da essência humana. Se nosso objetivo for o de receber colaboração, o mínimo que podemos fazer é ser bem generosos nas nossas demonstrações de respeito.
Críticas dificilmente funcionam, mas quase sempre produzem um efeito reflexo: quando culpamos alguém, normalmente ouvimos acusações de volta. A crítica é uma maneira rápida de causar ressentimentos e destruir relacionamentos. Nossos egos são tão frágeis que não costumam resistir à desaprovação de quem quer que seja. Temos a cínica capacidade de nos ver como a parte injustiçada da história, como inocentes perseguidos, e é por isso que nem criticar e nem discutir levam a lugar algum.
A gente pode e deve optar pela paz. Só se entra em briga porque quer, e muitas vezes os outros nos admiram mais por aquilo que não dissemos.
(Daiana Franco)

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