
Não que sejamos melhores do que os outros nas execuções das tarefas, mas certamente saberemos cumpri-las do jeitinho exato que pedimos ou que precisamos. Não pode haver nada mais irritante do que pedir um favor ou delegar um trabalho a alguém e perceber que não fomos levados a sério, e ultimamente é só isso o que tenho visto. Até as coisas mais banais parecem ter virado equações de terceiro grau: me digam qual é a dificuldade de entender que horários precisam ser cumpridos, que produtos comprados devem ser entregues na data combinada, que quando se paga uma limpeza se espera que ela seja feita, que quando a gente diz que não é para passar ligações é porque não podemos ser interrompidos, etc., etc., etc?
Ou eu me tornei uma pessoa incovivível ou as coisas se perderam de maneira irremediável!
Aparentemente ninguém mais tem compromisso com nada. A gente marca um horário para o encanador fazer um conserto em casa e ele aparece cinco horas depois-se aparece. Pedimos mil vezes que não se use alvejante nas roupas coloridas e elas aparecem salpicadas de pontos desbotados. Pagamos frete para que entreguem as compras do mês em domicílio e os produtos que eram refrigerados chegam em temperatura ambiente, sem explicação. Nada do que pedimos é de graça, tudo é pago, até favores têm que ser retribuídos; se é assim, por que parece que ninguém mais faz nada direito?
A gente vai tolerando, tolerando, até o ponto em que os mínimos deslizes nos afetam tanto que somos capazes de reações superlativas aparentemente impompreensíveis. Quem já assistiu ao filme "Um dia de fúria" vai me entender bem.
Estou cansada, perplexa, de saco cheio de incompetências e de falar para as paredes. Estou longe, a anos-luz de ser perfeita, mas sou conciente de que, para sobreviver na selva de pedra, o mínimo que devemos fazer é cumprir todas as tarefas com máxima dedicação e empenho, sob pena de sermos atropelados por alguém melhor do que nós. Nessas horas é que abençoo a seleção natural: é a única forma que temos de nos livrar dos encostos inúteis que só atravancam os nossos caminhos.
Não estou falando de esperar das pessoas mais do que elas podem dar, e sim de exigir que cada um cumpra o seu papel. Sem desculpas, sem enrolação, sem pretextos. A gente deveria encarar mais a vida como bussiness mesmo, em que só sobrevivem os mais fortes e melhor preparados.
O problema é que sempre vai aparecer alguém disposto a aceitar a versão pirata de um trabalho bem feito, alguém conformado com um material de segunda mão, e por isso as coisas não vão para a frente.
A vida da gente poderia ser redondinha se cada um fizesse a sua parte do princípio ao fim e conforme o combinado, sem mais nem menos. Olhem só como é simples- pena que o simples entrou em extinção.
Há quem diga que são apenas duas as maneiras de se obter sucesso nesse mundo: pelos próprios hábitos ou pela incompetência alheia. Talvez estejam realmente certos.
(Daiana Franco)

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