23 de out. de 2010

Aurora da minha vida...


"Oh que saudades que tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais!". Quando Casimiro de Abreu escreveu o poema "Meus oito anos", talvez não soubesse quão famoso ele seria. Como ele iria tornar-se atemporal. Sim, tenho saudades do meu tempo de criança. Tempo esse muito diferente desta contemporaneidade.
Quando era criança pequena, aqui mesmo em Santo Ângelo, como todo guri, gostava de jogar bola. Qual o melhor calçado para isso? o kichute. Esse tênis era legal. Na realidade, não era somente para jogar, era bom correr com ele porque tinha umas agarradeiras que impediam a gente de escorregar naqueles pisos encerados da escola. E, ainda servia de trava quando ia andando, rapidamente, de bicicleta num descidão daqueles.
Em meu infantil tempo gostava, e muito, de ler as revistinhas, os também chamados gibis. Quem não queria ter a fortuna do "Tio Patinhas", ser esperto como o "Mickey" ou o Pernalonga, ter a sorte do "Gastão"? A maioria de nós queria ter uma avó como a "Vovó Donalda" ou formar um clube como o do "Bolinha". Outra coisa, quem não tinha um amigo semelhante ao "Pateta" ou ao "Peninha", algum conhecido como o "Recruta Zero", um tio temperamental como o "Pato Donald", uma amiga romântica como a "Clarabela" e uns priminhos arteiros como o "Huguinho", o "Zezinho" e o "Luizinho"?
Na minha meninice, costumava, pelas manhãs, assistir televisão, pois à tarde ia para a escola. Assisti muito o "Sítio do Pica Pau Amarelo", a "Vila Sésamo" e desenhos animados como a "Corrida Maluca", o "Scooby-Doo", o "Capitão Caverna", a "Formiga Atômica", o "Fantasminha Legal", a "Lula Lelé", a "Família Buscapé" e os "Flinstones". A RBS, na época chamada de TV Gaúcha, tinha um programete conhecido como "Clubinho Gaúcha Zero Hora". o qual transmitia um desenho bem legal, a "Família Barbapapa" e, também tinha as histórias com as massinhas de modelar que transformavam-se em tudo e, nessa metamorfose, deixavam suas mensagens.
É bem verdade que as brincadeiras eram distintas das de hoje. Lembro que, naquela criancice fase, brincávamos de "sala", "cola", esconde-esconde", "diabo rengo", "vivo ou morto", "estátua", "pular corda", "sapata", "elástico" entre outras tantas formas criativas e saudáveis de se divertir. Os brinquedos ou jogos, igualmente, eram como "vareta", "dominó", "forte apache", "ioiô" e mais alguns que ora não recordo.
Em resumo, as crianças do século XXI não conhecem as brincadeiras tampouco os brinquedos do meu tempo infantil. Atualmente, o virtual faz e é o sucesso. Se é bom ou ruim? Depende do prisma que se olha. O fato é que, em tempo longinquo, criança tinha medo do "bicho papão", do "velho do saco". Criança colocava uma meia na janela, em dezembro, esperando ansiosamente para saber o que Papai Noel iria deixar de presente. Criança acordava cedo para procurar o cesto de chocolates deixado pelo coelhinho. Criança amava e era amada, respeitava e era respeitada, compreendia e era compreendida. Portanto, aproveitando a atemporalidade de Casimiro, parafraseio-o, pode ser que os anos não tragam mais a minha infância, nem minha alma seja tão inocente, nem meu folgar seja tão ingênuo. Todavia, rezo uma Ave Maria pedindo para que tenhamos risonhas manhãs, tardes fagueiras e noites de melodia. E, tendo em vista o mês das crianças, peço para não perdermos o espírito infantil a fim de que levemos as coisas menos a sério, coloquemos cores em nossos dias e, principalmente, possamos fazer do hoje uma saudosa lembrança e, assim, poder dizer nos amanhãs: que saudades eu tenho da aurora da minha vida.
(Leandro Figueiredo)

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