
O melhor conselho que eu já recebi e do qual deveria lembrar constantemente, como um mantra a repetir, é o de falar menos -muito menos- e escutar mais. Não tenho nem como precisar as inúmeras ciladas e constrangimentos por que já passei por ter deixado escapar uma frase infeliz ou um comentário abestalhado, pela simples inabilidade de controlar minha verborragia.
Sei bem qual a origem do meu falatório: fico incomodada com silêncios constrangedores, parece que tenho uma obrigação de sempre preenchê-los. Fico ansiosa com a falta de palavras, e assim como muita gente não sabe o que fazer com as mãos quando precisa ficar parado, eu não sei ficar quieta quando algum assunto se esgota. Coisa boa é a gente ter intimidade o suficiente com alguém para não precisar ficar enxertando as conversas com papo furado. Que maravilha é dividir e desfrutar de um silêncio confortável em companhia alheia.
Raramente me arrependi por ter falado pouco, mas muitas foram as vezes em que amarguei uma bruta dor de cabeça por ter falado demais: a ressaca moral de ter me sentido uma idiota é a que considero a mais difícil de suportar. Por isso, acho que quem se abstém de falar poupa os outros da evidência de que não tem nada de proveitoso a dizer, no mais das vezes.
Em qualquer discurso, ser discreto conta mais pontos do que ser eloquente. Podem ver que aquelas pessoas que falam-falam-falam quase sempre levam a fama de gargantearem muito mais do que a realidade. Aquele que fala pelos cotovelos transmite uma imagem de descontrole e futilidade, cansando os demais; muitas vezes pode nem pretender ser o foco das atenções, mas é o que acaba conseguindo quando monopoliza as conversas. O risco de parecer ridículo e de falar besteiras(desnecessárias)aumenta na mesma proporção em que vão-se atropelando as palavras, e por melhores que sejam as intenções do conversador é quase certo que, ao se calar, a única coisa que vai conseguir é provocar alívio.
As pessoas realmente sábias sempre meditam sobre o que vão dizer antes de falar, e consideram se o lugar e o momento são os mais apropriados. Isso se chama bom-senso, que eu tanto invejo e procuro exercitar. Há uma frase de que gosto muito e que diz: esteja certo de ter terminado de falar antes que seu público tenha terminado de ouvir, e é exatamente nesse ponto em que acaba a utilidade da conversa para começar o tormento do blábláblá. Que pena muitas vezes nos faltar sensibilidade para perceber, antes de maiores danos a nossa reputação, a hora exata de emudecer.
Falar é semear, tanto para o bem quanto para o mal. Falar demais é comprometer a colheita-e talvez por isso mesmo o silêncio seja de ouro.
(Daiana Franco)

Nossa,Ana!!Esse texto caiu bem pra mim (q tenho a "mania" de falar, falar,falar...mas muitas vezes sem dosar as palavras, aí já viu: estress, mal entendido, e eu querendo consertar o estrago...).Adorei o texto. Saudades mil.Bjo.
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