
Seria muito diferente se a gente vivesse em um desses países que apedreja,mutila e anula as mulheres. Mas aqui,na relativa igualdade do Brasil,volta e meia me pego pensando: sorte que eu não nasci homem.
Nada contra o gênero,londe disso. Fã dos portadores do cromossoma XY,com muitos anos de honestos serviços prestados à raça masculina,não consigo imaginar nada mais sem graça que um mundo só de moças. Ainda assim,meu gosto pelos homens se resume a tê-los eternamente por perto,em relações de amizade,trabalho,amor e etc.,sem jamais ter desejado,nem por um minuto,ser um deles. Inveja do pênis e outras perturbações do tipo? Estou foríssima.
Deixando de lado as complicadas questões sociais,que o assunto aqui segue por outro rumo,vida de homem é mais difícil que vida de mulher. Homem está sempre sob pressão,não pode relaxar nunca para não correr o risco de alguém achar que ele não é homem. Desde menino,homem se prova o tempo inteiro. Mesmo que deteste futebol,que prefira não levar socos nas costas ao ser cumprimentado pelos amigos,que odeie morcilha e torresmo,vai aguentar tudo isso no osso,e se forçando a gostar,pelo bem da sua imagem.
Homem não pode pedir sanduíche só de queijo,não pode ficar feliz com roupa nova,não pode se interessar pela salvação dos pandas. Não deve comprar um cachorro pequeno e peludo. Convém não dizer que está de dieta,não ler livros escritos por autoras,não criar gatos,não se matricular no Pilates. Se não produz barulhos corporais em público,parece meio afeminado. Se usa xampu e protetor solar, é suspeito. Se já fez quarenta e ainda não casou,aí tem.
É preciso muita firmeza para não dar uma escorregadinha que influa no próprio julgamento. Uma camisa de cor menos convencional,um corte de cabelo diferente,chamar um bebê de fofinho, qualquer descuido pode ser fatal. Ser homem é pedreira e agora me ocorre que só uma coisa exige macheza: ser gay.
Sorte que eu nasci do outro lado da força.
(Claudia Tajes)

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