15 de jul. de 2010

Eu uso Chapéu...


Cada pessoa tem suas manias e gostos particulares,que muitas vezes são vistos pelos outros como excentricidade,loucura ou pura breguice. Eu mesma tenho certas preferências que transbordam o que comumente se vê por aí,mas mesmo assim insisto na minha autenticidade, torcendo para um dia ser compreendida.
Por exemplo: gosto de usar chapéu. Não os temáticos (tipo de cowboy, de praia ou aqueles gorrinhos de cantor de rap), nada disso: gosto de chapéus bem femininos, de preferência com algum laço ou detalhe ao redor de sua circunferência. Mas vá andar com um chapéu por aí para ver se não te olham como se fosse um monstro! Parece que só as crianças têm salvo-conduto nesse quesito.
Já fiz umas incursões pela cidade com alguns dos meus modelos e não foi fácil. Embora as pessoas estejam mais do que acostumadas a tratar naturalmente quem se apresente rigorosamente pilchado da cabeça aos pés,não sabem onde por os olhos quando aparece alguém com alguma "esquisitice". O chapéu que eu tanto gosto de usar parece fazer as vezes da tal melancia pendurada no pescoço.
Esse é um dos problemas de se viver em cidade pequena. Se fôssemos todos anônimos,poderíamos andar por aí com cinquenta brincos em cada orelha, mais piercings de nariz, lábio e umbigo, e seríamos apenas mais uma criatura perdida no mundo. Às vezes tudo o que um sujeito pode desejar é não ser reconhecido para poder de permitir ser o que é.
Na verdade, acho que não é dos chapéus que eu gosto; o que me atrai é o charme de certas coisas antigas.
Eu gosto muito de rendas, passamarias, abotoaduras, lenços, bordados e principalmente broches. São objetos e materiais não tão presentes no dia-a-dia, e que talvez por isso mesmo se valorizem tanto para mim por seu ineditismo.
Claro que tem muita coisa do passado que é bom agradecer pelo desaparecimento. É o caso da Baré-Cola, Grapette(se bem que tem gente que ainda suspira por ela), ombreiras, relógio que troca a pulseira, calça baggy, biquíni de crochê, merendinha, chocolate em forma de de cigarrinho, laço de tule no cabelo, gel com glitter, polainas de lã e por aí vai. Engraçado ver tudo isso de tempos em tempos reaparecer, como se fosse moda de novo, como se tivesse sido tão bom que valesse a pena reeditar. Não vai demorar muito e vão ressuscitar o batom Bokaloka, o corte de cabelo a la Chitãozinho & Xororó ou o tênis Kichute, e muita gente com certeza vai adorar.
Gosto é gosto e não se discute- ô chavão velho e verdadeiro. Continuo acreditando que os meus chapéus são o máximo, assim como tenho que respeitar quem acha bonito usar blazer de botões transpassados. Quanto mais o tempo passa, mais vou me convencendo de que não existe mesmo esse negócio de certo e errado em matéria de opinião e que a coisa mais cansativa na vida é não verdadeiro consigo mesmo. A vida é curta demais para se perder tempo fingindo ser o que a gente não é só para ser aceito ou gostarem da gente. A verdade é que, sendo fiéis a nós mesmos, já estamos nos fazendo o favor de praticar uma seleção natural, atraindo apenas as pessoas afins. Aqueles que nos interessam não se importam com o chapéu que a gente usa; aqueles que se importam simplesmente não nos interessam.
(Daiana Franco)

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