5 de abr. de 2010

Belo Belo

Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo — que foi? passou — de tantas estrelas cadentes.

A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.

O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.

Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar,

Não quero ser amado.

Não quero combater,

Não quero ser soldado.

Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.

(Manuel Bandeira)

Um comentário:

  1. "...a delícia de poder sentir as coisas mais simples." Isso sim é a parte boa da vida,querida Ana...e devemos aproveitar como a criança q ganha a sua primeira boneca, a sua primeira "bici" e não solta de jeito nenhum...
    Teu blog tá nota 1.000!!!
    Te amo!!!Bjão,Beta.

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